UFS forma 56 novos especialistas em Recursos Hídricos e Meio Ambiente

56 novos especialistas formados. Este é o resultado final do curso de especialização em Recursos Hídricos e Meio Ambiente, ofertado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), por meio do Programa de pós Graduação em Recursos Hídricos e com o apoio do Projeto Azahar: Flor de Laranjeiras. A defesa da última monografia aconteceu na tarde desta segunda-feira, 31, e assim como as demais, foi realizada por meio de videoconferência.

“O resultado não poderia ser melhor. Além de formar 56 especialistas, as pesquisas desenvolvidas a partir do curso são uma maneira de retribuir à comunidade em forma de conhecimento sobre temas que impactam na vida da população ribeirinha”, destacou a Professora Patricia Rosalba Salvador Moura, Pós-doutora em Ciências Humanas, professora do Campus do Sertão da UFS e do Mestrado em Antropologia da UFS e diretora do Departamento de Licenciaturas e Bacharelados da Pró-Reitoria de Graduação da UFS. A professora foi uma das dez docentes do curso.

Foram 360 horas distribuídas em 10 módulos, ministrados por professores e professoras da UFS. Entre os novos especialistas, estão profissionais de educação como geógrafos, biólogos, pedagogos, historiadores, que atuam nas redes públicas estadual e municipal de Laranjeiras, além de profissionais das áreas de engenharia florestal, química, trabalhadores de órgãos ambientais e pesquisadores de diversas áreas afins aos recursos hídricos e à sustentabilidade socioambiental.

 

Diversidade e sustentabilidade socioambiental

Para a professora Patrícia Rosalba, o cuidado em envolver múltiplos setores da sociedade resultou não apenas em proporcionar o acesso ao curso gratuitamente aos 56 novos especialistas, mas refletiu também na diversidade de temas abordados nos trabalhos finais dos discentes. “Os temas refletem a concepção, que esteve presente durante a execução de todo o Projeto Azahar: Flor de Laranjeiras, de que não é possível produzir ciência, nem promover sustentabilidade sem conectar intrinsecamente meio ambiente e as pessoas que nele vivem. Sem gente não há meio ambiente”, completou a professora Patrícia Rosalba, que foi orientadora de seis das 56 monografias do curso, que perpassaram aspectos sociais da questão ambiental.

 

Uma dessas pesquisas foi a de Mayra Ferreira Barreto, autora da monografia “As memórias dos moradores antigos de Laranjeiras/se sobre o Rio Cotinguiba: usos, práticas e experiências”. Por meio de entrevistas de sete mulheres moradoras antigas da comunidade Mussuca, em Laranjeiras, a pesquisa resgatou a memória da população e sua intrínseca relação com o Rio Cotinguiba, perpassando aspectos econômicos, sociais, culturais. “Através das memórias a gente faz o diálogo com a realidade local e pode delinear a identidade local e perceber as transformações socioambientais – a mudança das paisagens e do espaço da cidade”, destacou a autora, que tem formação em História e em Pedagogia, e que atua ministrando para crianças de 5 anos em Aracaju e na Barra dos Coqueiros.

 

Práticas pedagógicas

Inspirada pelos conceitos e recursos apresentados na especialização, a historiadora e pedagoga Mayra Ferreira Barreto, já planeja desenvolver um projeto sobre preservação ambiental nas escolas em que atua com meninos e meninas na faixa etária dos cinco anos. “Um dos recursos de educação ambiental apresentados na especialização que já utilizei com meus alunos foi a calculadora ecológica, que apresenta a quantidade de água utilizada para produzir diversos bens de consumo presentes em nosso cotidiano” apontou.

“A especialização contribuiu para a minha compreensão de educação ambiental enquanto prática contínua – e não apenas pontual – para a conscientização a população em relação à mudança de atitude diante dos desafios socioambientais”, completou Mayra.

Gestão de recursos hídricos

Para o químico industrial Ubirajara Rodrigues Xavier, que atua como analista técnico e fiscal de recursos hídricos na Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (SERHMA), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEDURBS), “a especialização me ajudou e tem ajudado na ampliação dos meus conhecimentos principalmente na área de recursos hídricos. Antes de ir para a SEDURBS/SERHMA trabalhei durante 19 anos na ADEMA, órgão ambiental do Estado de Sergipe, e a especialização veio justamente na época em que eu começava a iniciar a minha atuação com recursos hídricos, fazendo com que eu tivesse a consolidação do conhecimento científico proporcionado pela universidade, com a área prática, que era o meu dia-a-dia”.

Ubirajara explicou que a pesquisa realizada por ele e pela discente Mônica Conceição de Santana, sob a orientação do Professor Dr. Carlos Alexandre Garcia, produziu um diagnóstico da situação da atividade de carcinicultura na Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe. “Identificamos que existem poucos empreendimentos em operação que estão devidamente regularizados nos órgãos gestores de meio ambiente e recursos hídricos, que são entidades que teriam que se posicionar quanto à operação dos citados empreendimentos, visando minimizar os impactos que a atividade pode proporcionar no meio ambiente e no corpo hídrico, do local onde encontra-se em operação”, elucidou.


Políticas públicas

Já a pesquisa do engenheiro sanitarista e ambiental José Carlos Benicio do Nascimento Filho e dos geógrafos e professores de geografia da rede estadual de Sergipe Ezequiel Lealdo Soares Santos e Weslei Santos Almeida buscou realizar a caracterização física da bacia hidrográfica do Rio Cotinguiba, destacando os aspectos climáticos, geomorfológicos e hidrográficos. “Fizemos um levantamento a partir de base de dados de órgãos municipais e estadual e nacional das características físicas da bacia. Com isso, buscamos criar um compilado de informações georeferenciadas que auxiliem que sejam um aparato técnico de auxilio de elaboração de políticas públicas sustentáveis para a região”, explicou José Carlos Benicio.

Ele destaca o impacto que os conhecimentos trocados ao longo da especialização geraram em sua carreira. “Hoje, eu olho não apenas para o impacto ambiental vendo apenas como engenheiro, mas consigo entender a importância do levantamento de uma alteração do meio sobre a cultura local, sobre a vivência da população que está ali envolvida. Hoje eu me reconheço como um profissional mais completo diante desta interdisciplinaridade presente na especialização, que proporcionou contato e pesquisa conjunta com profissionais de áreas distintas”, comemorou.

 

Teoria e prática

Para a consultora ambiental analista Rafaella Santana Santos, a especialização lhe trouxe ganhos profissionais e acadêmicos, uma vez que os docentes do curso tiveram o cuidado de trabalhar teoria e prática sempre de maneira conectada. “A bagagem de conhecimentos adquiridos na especialização foi fundamental neste processo entre academia e mercado de trabalho porque ela me proporcionou novos nichos de conhecimento. Eu não fiquei restrita no meu conhecimento cientifico de 10 anos de pesquisas acadêmicas”, apontou a ecóloga, que trilhou o caminho de graduação, mestrado e doutorado neste período.

Autora do trabalho pioneiro “Análise do estado de conservação das nascentes da sub-bacia do Rio Contiguiba” juntamente com a discente Ana Karolyne Fontes, sob a orientação do professor e engenheiro Florestal Thadeu Ismerim, Rafaella chamou a atenção ainda para o fato de que a especialização não formou apenas especialistas, mas multiplicadores de conhecimentos, uma vez que os profissionais formados estão inseridos em diversos campo de atuação. “São 56 pessoas multiplicando este conhecimento acerca de meio ambiente e sustentabilidade socioambiental”, resumiu.

 

Projeto Azahar

O Projeto Azahar: Flor de Laranjeiras foi realizado ao longo dos anos de 2019, 2020 e 2021 pela UFS e Fapese em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental. A especialização foi um dos resultados do projeto, que envolveu mais de 6 mil pessoas direta ou indiretamente em ações de educação ambiental e restaurou 11,14 hectares, plantando 10.163 mudas de 28 espécies nativas da Mata Atlântica. O Azahar investiu também no monitoramento quanti-qualitativo de diversos pontos do Rio Sergipe e de seu afluente Cotinguiba, e ainda com pesquisa científica no campo dos recursos hídricos.

 

 

 

 

 

 

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