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Cultura popular e educação ambiental marcam seminário Água e Cultura em Sergipe

“A outra publicação
É uma cartilha educativa
pense numa invenção
de umas meninas criativas

Feita com muito carinho
essa cartilha tá danada
toda feita em quadrinho
faz a cabeça da molecada

Dona Nadir e um caboclinho
é quem contam a história
do rio Sergipe e Laranjeiras
baseada na memória

Além de lembrar de tudo,
Dona Nadir tem um traço:
Ela carrega gingado
na barra da saia e no salto”

 

E foi na barra da saia e do salto de Dona Nadir da Mussuca batucando no chão do campus Laranjeiras da UFS, descrita no cordel “Água e Cultura: patrimônios da gente”, que teve início o segundo dia do Seminário Água e Cultura em Sergipe. O evento aconteceu na última quarta e quinta-feira, 16 e 17, realizado pelo Projeto Azahar: Flor de Laranjeiras, executado pela UFS e Fapese, em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental.

Cultura popular e educação ambiental permearam o lançamento, da cartilha educativa “Laranjeiras: uma viagem no tempo”, abrindo a programação do segundo dia de seminário. Além das duas organizadoras da publicação, a assessora de educação ambiental do projeto, Aldjane Moura, e a educadora e pesquisadora voluntária do projeto, Brisa Corso, o lançamento contou com a presença de Dona Nadir, que figura como personagem principal da cartilha.

Utilizando o método das histórias em quadrinhos para contar, de forma lúdico-educativa, a história de Laranjeiras, do Rio Sergipe e do Rio Cotinguiba, a cartilha é um instrumento educativo que traz para o debate aspectos sobre a importância da preservação ambiental e a gestão de recursos hídricos.

“Trabalhar a educação ambiental em sala de aula é contribuir para a formação de cidadãos aptos a tomar decisões coletivas sobre questões ambientais necessárias para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável”, frisou Aldjane, destacando que o material será distribuído para as escolas da rede pública de Laranjeiras durante as atividades realizadas pelo projeto Azahar.

 
“Uma das formas mais eficazes de preservar o meio ambiente de uma região é valorizar o povo que ali vive e que retira da natureza o que precisa para viver. São essas pessoas, que cientes do seu valor cultural, histórico e ambiental cuidarão e ajudarão a cuidar de tudo o que está ao seu redor. Este foi o desafio da criação deste material”, destacou Brisa Corso.

Educação ambiental

Educação ambiental também foi tema da mesa redonda do evento, que se transformou numa rica partilha de saberes e experiências acerca do assunto. Para isso, foram convidados representantes de dois projetos que acumulam boas práticas e ações neste campo de atuação: Renascendo, de Alagoas, e Viveiro Cidadão, de Rondônia, ambos patrocinados pela Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental.

Marcelo Lucian Ferronato, doutorando em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), contou como o projeto Viveiro Cidadão, coordenado por ele na ONG Ação Ecológica Guaporé – Ecoporé, tem ajudado a transformar vidas de agricultores e famílias na região amazônica. “Educação ambiental não é número, mas o resultado qualitativo de como estamos impactando na sociedade”, resumiu Ferronato, desnudando a essência do processo educativo.

Ele ressaltou a importância de promover ações socioambientais de forma transversal, pois elas favorecem a mudança de conceitos e promovem estratégias participativas. “Chegamos a ter agricultores que vieram procurar o projeto porque os filhos participaram de alguma ação de educação ambiental, entenderam a importância da restauração florestal e sensibilizaram os pais, que vieram até nossa organização. Isso mostra a relevância do trabalho junto às crianças e adolescentes”, exemplificou.

Já Ana Cristina de Lima e Silva Accioly, pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e institucional pela Faculdade Pio Décimo, compartilhou metodologias que deram certo no sertão brasileiro, aplicadas pelo Projeto Renascendo, onde ela atua como assessora de educação ambiental. Ela frisou a necessidade de que os atores envolvidos se reconheçam no processo educativo para a promoção da participação social.

“Envolver crianças e jovens na proteção e no cuidado ambiental é fundamental para que esta causa se perpetue. Fazer educação ambiental sem envolver crianças e jovens, é fazer uma educação ambiental fadada a morrer”, destacou Ana Accioly, apontando como uma alternativa a abordagem sobre o tema na escola, que para ela é instituição permanente e base da participação social.

 

A coordenadora pedagógica do Serviço de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado da Educação (SEED), Silvaneide Silva Vieira, que participou do evento e assistiu às palestras, chamou a atenção para o fato de que o ser humano tem de ser o centro do processo educativo. “Quando falamos sobre educação ambiental, pensamos nas matas, nas águas, no ar, no solo, mas a esquecemos – ou talvez não damos a devida importância – para ‘a pessoa’ neste processo. E este ser humano é, tanto o agente que provoca a degradação ambiental, como também é parte da solução”, avaliou.

Oficinas

O Seminário foi encerrado com oficinas temáticas, momento em que os participantes puderam acessar novos aprendizados e colocá-los em prática.  Foram cinco oficinas, envolvendo diversas áreas de conhecimento: “Água e Saúde”, ministrada por Neuma Rubia e Cristyano Ayres; “Educação Ambiental: para além dos conteúdos, das transversalidades e das interdisciplinaridades. Criação de novas vivências e convivências”, mediada por Ana Cristina Accioly; “Conhecimento e reconhecimento de nosso patrimônio”, conduzida por Rodrigo Santos de Lima e Daniele Luciano Santos; “Aproveitamento de água de chuva e montagem de mini cisternas”, coordenada pela professora Adnívia Santos Costa Monteiro; e “Recomposição florestal na Amazônia”, ministrada por Marcelo Ferronato.

 

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